Assista a MetaSolar no BOM DIA BRASIL (Rede Globo)

” O empresário Rafael Kelman está confiante de que os investimentos vão crescer no setor. “Como fonte, ela é um pouco mais cara que as demais e está caindo fortemente de preço. Portanto, eu acredito que é uma questão de tempo para essa fonte entrar na matriz por razões competitivas, por razões econômicas”, afirma Kelman, diretor da Metasolar.”

Assista a reportágem na íntrega no link:

http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2013/11/brasil-realiza-seu-primeiro-leilao-de-energia-solar-na-semana-que-vem.html

Assista a MetaSolar no JORNAL DAS DEZ (Globo News)

“No Rio de Janeiro, o primeiro prédio público a receber um telhado solar é a Biblioteca do Estado, que assim como os estádios do Mineirão, em Belo Horizonte, e Pituaçu, em Salvador, ainda não foi registrada na Agência Nacional de Energia Elétrica.Quem tem esse tipo de telhado tem redução na tarifa toda vez que a energia gerada é maior que a usada pelo consumidor. O excedente vai direto para a rede de abastecimento e vira desconto na conta de luz.”
Assista a reportágem na íntrega no link:

http://g1.globo.com/globo-news/jornal-das-dez/videos/t/todos-os-videos/v/projetos-de-energia-solar-participam-de-leilao-publico-pela-primeira-vez/2959091/

 

 

CONSUMIDORES PODEM GERAR ENERGIA PRÓPRIA NO BRASIL

Começa a Revolução Solar no Brasil

A partir de segunda-feira (17/12) começa a valer a Resolução 482/2012 da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) que regulamenta a geração de energia por consumidores. Qualquer pessoa ou empresa que quiser instalar micro (até 100 KW) ou minigeradores (entre 100 KW até 1 MW) terá direito a um abatimento na conta de luz de acordo com a sua produção. Sobras de energia serão injetadas diretamente no sistema de distribuição. A norma define os trâmites que as distribuidoras deverão adotar nesses casos e é válida para energia solar, eólica, hídrica e de biomassa. Depois que o consumidor fizer o pedido para conectar seu gerador à rede, as distribuidoras terão até 82 dias para finalizar os procedimentos necessários. A resolução foi aprovada em abril, mas estava suspensa e sujeita a consulta pública por um pedido das distribuidoras, que tinham dúvidas sobre sua aplicação e queriam mudanças na redação e mais tempo para se adaptar. Na tarde de ontem, a diretoria da Aneel bateu o martelo, depois de fazer mudanças no texto relacionadas à forma de cobrar impostos no sistema de compensação entre distribuidoras e consumidores. A nova redação deve ser publicada no Diário Oficial ainda nesta semana.   Ficaram de fora do texto incentivos para a instalação dos medidores e geradores, cujos custos ficarão por conta dos consumidores. Apesar disso, a medida está sendo comemorada por organizações que lutam pela ampliação das fontes limpas na matriz energética brasileira. “É um pequeno passo, mas para o Brasil é totalmente inédito. Nunca tivemos uma lei para energia solar”, avalia Ricardo Baitelo, coordenador da Campanha de Energias Renováveis do Greenpeace. De acordo com ele, para que a geração descentralizada ganhe escala são necessários incentivos para o consumidor final de painéis solares e a instalação de fabricantes no País. Enquanto isso, Baitelo reconhece que a demanda deve limitar-se a empresas e consumidores domésticos de alta renda. O integrante do Greenpeace só lamenta que uma alteração do texto original da resolução tenha proibido que os moradores de um condomínio, por exemplo, compartilhassem um mesmo gerador, o que reduziria custos. Representantes do fisco estadual consideraram que isso complicaria a cobrança de impostos. Geração descentralizada em países como a Alemanha, a geração descentralizada existe há vários anos e vem ganhando escala. Lá, os consumidores não apenas podem ter abatimentos na conta de luz, como têm incentivos para instalação de geradores e medidores e podem receber pelas sobras de energia produzida. Segundo o MME (Ministério de Minas e Energia), 15% dos domicílios brasileiros já dispõem de energia solar. O potencial solar brasileiro é muito grande. O Brasil tem uma média anual de radiação global de 1.642 e 2.300 kWh/m²/ano. Se apenas 2% da área urbanizada brasileira fosse aproveitada, toda a demanda brasileira por eletricidade poderia ser atendida. De acordo com a EPE (Empresa de Pesquisa Energética), a energia solar já é competitiva em diversas regiões do País em função da incidência de sol e da tarifa de energia local. Com a tendência de queda no custo de geração, o sistema pode atingir até 98% das moradias no país no futuro, desde que sejam concedidos incentivos. Além de significar redução da tarifa no bolso do consumidor, a geração descentralizada representa uma revolução em relação à geração centralizada tradicional. Ela tem potencial de reduzir perdas nas redes – atualmente entre 10% e 12% – e economiza investimentos em transmissão, que devem chegar a R$ 36 bilhões nos próximos dez anos. O sistema também pode melhorar a qualidade do serviço de energia e contribui para tornar mais limpa e diversificada a matriz energética.

Agora é possível injetar energia na rede para descontos na conta de luz.
Fonte: solarcity.com

Plano do passado

O Brasil tem o maior potencial para geração de energia solar do planeta. Mas o Plano Decenal de Energia 2021 reserva meros três parágrafos para esta fonte

 

Está em consulta pública o Plano Decenal de Energia 2021, um dos principais instrumentos do planejamento energético nacional. Produzido pela Empresa de Planejamento Energético, deve ser um olhar para o futuro que orienta a tomada de decisão sobre os investimentos no setor. Mas a julgar pelo que se vê proposto, o planejamento se dá olhando pelo retrovisor, com foco no passado. Vejamos o exemplo da energia solar, já me desculpando pela numeralha.

A segunda fonte de energia que mais cresce no mundo, tanto em volume como em proporção é solar, colado na eólica em primeiro lugar. Em 2011, o mundo acrescentou 30 GWh de potência solar instalada, atingindo um total de 70 GWh. No mesmo período, o acréscimo de potencial instalado de hidroelétricas foi de 12 GWh.

A Alemanha, com metade da insolação média do Brasil, atingiu 32 GWh de capacidade instalada em 2012 (o que equivale a 30% da capacidade total do Brasil, incluindo todas hidroelétricas). A maior parte desta capacidade está distribuída em mais de 1 milhão de instalações de pequeno porte, utilizando estruturas já existentes como os telhados. Durante a primavera, a energia solar chegou a responder por mais de 50% da energia consumida no meio do dia. Cerca de 85% da geração solar, instalada na Alemanha, aconteceu nos últimos 5 anos a partir de uma meta de atingir 35 GWh em 2015 (no ritmo atual ultrapassará os 45 GW até lá). As projeções para capacidade instalada no mundo em 2016 deve ficar entre 207 a 342 GWh. Para efeito de comparação, a capacidade de todas as hidroelétricas no Planeta (construída em várias décadas) é 970 GWh. Já se projeta que os custos da energia solar deverão ser plenamente competitivos, mesmo sem subsídio, a partir de algum momento entre 2013 e 2016.

O Brasil tem o maior potencial para geração de energia solar do planeta. Apesar disso, o Plano Decenal de Energia 2021 reserva, em 386 páginas, meros três parágrafos para tratar desta fonte e concluir: “Apesar do grande potencial, os custos atuais desta tecnologia são muito elevados e não permitem sua utilização em volume significativo”. Não apresenta um único dado, fato ou análise sobre o potencial, custos ou outro elemento para justificar a posição – o que aparece fartamente para justificar os investimentos em grandes hidroelétricas e termoelétricas.

O PNE 2030, o planejamento energético de longo prazo, publicado em 2008, já utilizou dados ultrapassados estimando o potencial instalado de energia solar em 1 GW (quando à época já era de 14GW) e estimou que o custo de instalação competitivo de US$ 1000/Kw seria atingido somente após 2030 e não inclui energia solar no planejamento de longo prazo da matriz energética. Já em 2012, o custo de instalação caiu abaixo de US$ 1000/Kw e mesmo assim o PDE2021 ignora a energia solar.

É preciso parar de planejar com olho no retrovisor e olhar para frente, permitindo que o Brasil faça valer o seu abençoado potencial de energias renováveis.

Tasso Azevedo é engenheiro florestal.

Fonte: http://oglobo.globo.com/opiniao/plano-do-passado-6420517

Insolação garante vantagem competitiva

Por Carlos Vasconcellos | Para o Valor, do Rio

Divulgação / Divulgação
La Rovere: Brasil tem condições de se tornar o país mais competitivo em geração solar de larga escala do mundo

O sol nasce para todos, mas não nos alcança a todos do mesmo jeito. A insolação, quantidade de energia do sol recebida pela Terra, varia de acordo com a região do planeta e pode ser medida pela quantidade de horas de sol diretamente incidente no local. Essa incidência é um fator fundamental para determinar o clima e, consequentemente, o potencial das fronteiras agrícolas. Além disso, é um indicador importante para determinar o potencial de geração de energia solar de cada país.

Trata-se de um recurso abundante no Brasil. O país recebe uma média diária de oito horas de sol por dia, o que o coloca entre os primeiros em termos de insolação. “Não estamos falando de horas de luz, mas de incidência direta de sol”, ressalta André Madeira, chefe de meteorologia da Climatempo. “Como um país localizado na zona tropical e equatorial, o Brasil é muito bem municiado.”

A localização geográfica brasileira também permite que a incidência solar tenha menos variações em comparação a outros países localizados mais perto dos extremos norte e sul do planeta. As regiões do país com maior potencial são o interior do Nordeste; o Centro-Oeste e o interior da região Sudeste. No Norte, o potencial é menor por causa do excesso de umidade, que provoca nebulosidade e reduz a taxa de insolação, explica Madeira. “Mesmo no Norte, na época de seca, de julho a setembro, a insolação aumenta, especialmente no sul da região.”

Do ponto de vista econômico, conforme mostram os números do setor, a insolação é muito bem aproveitada pelo agronegócio, embora seu excesso provoque temporadas de seca em algumas áreas. O mesmo não se pode dizer, no entanto, do seu uso para a geração de energia solar.

O Brasil possui apenas 20 MW de capacidade instalada de geração solar fotovoltáica. Enquanto isso, a Alemanha, com apenas 1 hora diária de insolação média responde pela maior capacidade instalada mundial, com 17,1 GW.

Só como comparação, o local com maior taxa de insolação da Alemanha recebe 40% menos incidência de sol do que o local com menor taxa no Brasil. A taxa de insolação brasileira também é superior às de outros líderes em geração solar fotovoltáica, como Espanha (3,8 GW instados), Japão (3,6 GW) ou EUA (2,6 GW).

Além do alto índice de insolação, o Brasil também conta com outra importante vantagem competitiva: grandes jazidas de silício, material usado na fabricação de painéis solares. Para tirar proveito disso, no entanto, será preciso investimento tecnológico. Atualmente, o país não domina o processo de purificação do minério até o grau necessário para a fabricação dos painéis.

Várias empresas nacionais tentam dominar essa tecnologia, com apoio financeiro do BNDES e de centros tecnológicos como o da USP. “Se, além disso, conseguirmos um avanço tecnológico que permita superar o chamado Processo Siemens (tecnologia usada na fabricação de painéis), que é poluente, vamos dominar toda a cadeia de produção, com potencial de exportação para os países da América Latina”, afirma Emilio La Rovere, coordenador-executivo do Laboratório Interdisciplinar de Meio Ambiente da Coppe-UFRJ. Ele coordenou a equipe que realizou o estudo técnico do projeto Carta do Sol, com o objetivo de promover o planejamento do uso de energia solar fotovoltáica no país.

No entanto, o potencial de energia solar do Brasil não significa que essa modalidade de geração poderia substituir totalmente o modelo predominante no país, de matriz hidroelétrica. Para que uma usina solar como a de Tauá, no Ceará, a primeira planta comercial fotovoltáica do país, inaugurada em 2011, gerasse a mesma quantidade de energia que uma usina hidroelétrica como a de Teles Pires, que está em construção na fronteira entre o Pará e o Mato Grosso, seria necessário ocupar uma área de 60 quilômetros quadrados, sete vezes mais do que a que será inundada pela hidroelétrica.

Ainda assim, o investimento na energia solar vale a pena, por tratar-se de uma energia limpa e com grande potencial estratégico complementar, quando integrada a outras matrizes energéticas. Segundo La Rovere, o Brasil tem condições de se tornar o país mais competitivo em geração solar de larga escala, em nível mundial. “O país deveria incentivar a geração solar porque há uma série de vantagens sociais, ambientais e econômicas para se investir nessa modalidade de geração”, afirma.

O estudo da Carta do Sol mostra que, ao contrário do que muitos imaginam, o principal potencial de aproveitamento solar não está no abastecimento das zonas rurais, embora nesse caso o uso dessa tecnologia tenha um grande impacto social. “O maior crescimento será na geração industrial, com as empresas se transformando em produtores descentralizados de energia solar, enquanto o nicho residencial crescerá mais lentamente”, prevê La Rovere.

Outra conclusão importante do estudo é que a energia solar fotovoltáica pode ter um papel muito importante para a qualidade do fornecimento de eletricidade no Brasil. “O sistema interligado nacional foi construído em malha aberta e tem as pontas da rede muito mal atendidas”, explica La Rovere. “A instalação de usinas solares nessas extremidades aumentaria a estabilidade e a qualidade do abastecimento.” Isso poderia garantir o suprimento para instalações industriais localizadas nessas pontas de rede, acrescenta. “Como no polo de Tubarão, no Espírito Santo, por exemplo.”

Mas como superar a barreira do preço? Hoje, enquanto 1 MW/h gerado em usinas eólicas ou térmicas a gás natural sai por cerca de R$ 100 nos leilões de energia elétrica, o custo médio de geração solar fica entre R$ 300 e R$ 400. Marcelo Corrêa, presidente do Grupo Neoenergia, observa que os incentivos regulamentados até agora não permitem que a energia solar fotovoltáica possa competir com outras fontes para geração em grandes centrais. “Para isso, leilões específicos teriam que ser promovidos até o custo cair a ponto de ficar competitivo, como ocorreu com as eólicas.”

A saída, diz La Rovere, está na proximidade. “O consumidor paga R$ 500 pelo MW/h, por isso, gerar energia solar no ponto de consumo já é competitivo.”

Energia solar custa menos que a de dez distribuidoras, diz EPE

A energia solar está mais barata do que a tarifa aplicada por dez distribuidoras brasileiras, entre elas Cemig (MG), Ampla (RJ) e Cemar (MA). De acordo com estudo apresentado ontem pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o custo médio da energia para residências que utilizam painéis solares é de R$ 602 por megawatt-hora (MWh), abaixo da tarifa residencial cobrada por essas empresas, que respondem por 15% do consumo residencial do país.

Os cálculos da EPE consideram o investimento inicial de R$ 38 mil na compra e instalação de um sistema solar com capacidade para cinco quilowatt-pico (kWp) – unidade que mede a potência de equipamentos solares fotovoltaicos – e período de vida útil de 20 anos.

Segundo a estatal, essa capacidade seria suficiente para fornecer cerca de 550 quilowatts-hora (kWh) por mês e atender ao consumo médio de uma família de cinco pessoas de classe média. A conta de luz dessa família, sem o equipamento, na área da Cemig, por exemplo, seria da ordem de R$ 335 por mês.

A comparação considera todos os tributos e encargos aplicados nas tarifas das distribuidoras de energia hoje. O cálculo também leva em conta a isenção atual do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para painéis fotovoltaicos. O valor também não inclui custos de transmissão e distribuição, pois o equipamento solar está localizado na área de consumo final.

As outras distribuidoras que possuem tarifa residencial superior aos R$ 602 MWh são Energisa Minas Gerais (MG), Celtins (TO), Nova Palma (RS), Sulgipe (SE), Companhia Luz e Força Mococa (SP/MG), Cepisa (PI) e Eletroacre (AC).

Segundo o presidente da EPE, Maurício Tolmasquim, o custo dos sistemas solares fotovoltaicos caiu em média 56% em apenas cinco anos, de € 5 mil por kWp, em 2006, para € 2,2 mil, em 2011. “A tendência é continuar caindo muito”, disse o executivo.

O estudo, intitulado “Análise da Inserção da Geração Solar na Matriz Elétrica Brasileira”, também analisou o custo de usinas termelétricas movidas a energia solar. Nesse caso, a tecnologia ainda não é competitiva.

De acordo com a EPE, a energia solar fotovoltaica de uma usina tem custo médio estimado de R$ 405/MWh, valor muito superior ao preço médio obtido no último leilão de energia, realizado em novembro de 2011, de R$ 100/MWh e da média dos leilões de energia anteriores, de R$ 151/MWh.

O estudo, divulgado agora para o mercado, foi detalhado há duas semanas ao Ministério de Minas e Energia. O ministério vai analisar agora quais medidas podem ser adotadas para estimular o setor de energia solar no Brasil.

Entre as alternativas em estudo, as principais são a realização de um leilão específico para a energia solar ou permitir que as usinas participem dos leilões convencionais do setor. “Podemos deixá-las competir com outras fontes, mesmo sabendo que é pouco provável que ganhem para mapear os preços”, disse Tolmasquim.

Fonte: Valor Econômico

Parceria busca soluções para o Brasil

Parceria busca soluções para o Brasil

Divulgação
Adesivos com placas solares colados em vidros de prédio (à dir.) na Alemanha

 

É fácil de imaginar a cena: o escritório fica em um prédio que recebe muito sol pela manhã e, por isso, os funcionários trabalham com as persianas totalmente fechadas. Todas as luzes do ambiente estão acesas. O ar-condicionado vive ligado, mas há muitas janelas abertas, para ventilar o ambiente – um contrassenso completo. “Imagine a quantidade de energia desperdiçada”, diz o arquiteto e urbanista Silvio Parucker, um especialista no estudo de construções sustentáveis. O ambiente desastroso em eficiência energética é um caso clássico em prédios de escritórios no Brasil.

O exemplo descrito acima é rotina nos andares do Ministério do Planejamento, em Brasília, e se reproduz nos outros icônicos edifícios da Esplanada. Escritórios ideais, em termos de percurso solar, “têm que ter insolação suficiente, nem muita, nem pouca”, explica Parucker. Ministérios como o do Planejamento recebem muito sol pela manhã, o que provoca o uso excessivo de ar-condicionado e luzes artificiais, e o quadro é piorado pelo fenômeno conhecido como “pontes de calor”. A radiação absorvida pela fachada passa para vigas e pilares e leva algumas horas para chegar ao interior. “Então, ao meio-dia, há mais calor ainda”, diz Parucker.

À época em que Oscar Niemeyer e Lucio Costa projetaram Brasília, há mais de 50 anos, economizar água, coletar chuva, ventilar ambientes de modo natural, usar ao máximo a luz natural e tornar o consumo de energia eficiente, não eram parâmetros em voga como hoje. No Brasil, começaram a ganhar importância bem recentemente.

O acordo de cooperação tecnológica assinado em maio de 2011 entre os governos do Brasil e Alemanha contemplou também as áreas de eficiência energética e ambiente. Nasceu daí o programa “NoPa – Novas Parcerias Brasil & Alemanha”, que reúne um grupo de especialistas preocupados em estimular técnicas mais eficientes nos edifícios públicos brasileiros.

Na prancheta de estudiosos brasileiros e alemães estão edifícios em Curitiba, no Rio e em Brasília. “Queríamos trabalhar com obras em regiões climáticas diferentes”, explica Parucker, coordenador-adjunto do projeto.

Um dos estudos está sendo feito no Centro Politécnico da Universidade Federal do Paraná, em Curitiba, região de clima temperado. Outro ocorre no palácio Gustavo Capanema, o antigo Ministério da Educação e Cultura, no Rio, lugar de clima tropical úmido. E finalmente a análise do que ocorre nos dez andares do Planejamento, em Brasília, com seu clima tropical de altitude, bem seco. As simulações estão sendo feitas nos laboratórios das universidades federais do Paraná e do Rio, pelo lado brasileiro, e na Technische Universität München (TUM), na Alemanha. Nesse núcleo há também gente dos Ministérios do Planejamento e da Fazenda e pesquisadores do Instituto Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

A ideia é estudar o uso de ar-condicionado, a ventilação natural e apontar opções para melhorar o consumo de energia e água. Parucker já vinha trabalhando com esse tema em sua tese. “Minha ideia é explorar a eficiência energética no conjunto modernista de Brasília”, explica.

As análises ainda estão na identificação dos problemas – e no caso de Brasília, as possíveis soluções têm que levar em conta também que os edifícios são tombados pelo Patrimônio Nacional e o plano piloto é Patrimônio da Humanidade da Unesco, o que limita alterações na fachada, no uso de materiais e cores, por exemplo. Mas Parucker dá algumas pistas de soluções usadas em outros lugares.

Edifícios na Alemanha usam em suas vidraças um sistema de células fotovoltaicas em adesivo. “É uma solução interessante porque, ao mesmo tempo, se consegue sombrear uma fachada e produzir energia para o edifício”, diz o arquiteto. O uso de vidros duplos também possibilita que o primeiro absorva a radiação e o ambiente não fique superaquecido. O uso de um sistema geotérmico, que traz água quente do subsolo para serpentinas acopladas no piso, poderia ser usado para aquecer edifícios no sul do Brasil, no inverno. (DC)

Fonte: Valor Econômico